Os “Clarões” de Manu Saggioro

Os “Clarões” de Manu Saggioro

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terça-feira, 29 outubro 2019
Resenha

A musicista Manu Saggioro é conhecida – também – pela competência em tudo o que faz. O Toque de Midas da vez, ou poderíamos dizer “Toque de Manu“(?), é o disco “Clarões“.

Denso

Se o álbum Clarões fosse tangível, essa seria a sensação tátil.
É pena que Keith Moon, eterno baterista do The Who, batizou o Led Zeppelin  ao dizer que o som da banda inglesa era como “um zepelim de chumbo“, não tenha tido tempo de ouvir o disco da Manu. Não nesta dimensão.

A densidade do trabalho contrasta com a leveza dos acordes e a sutil e discreta, porém impossível de se notar, precisa inserção de instrumentos e referências brasileiras (e/ou não).

Talvez dizer “leveza” e “sutil e discreta” seja pouco diante de tamanha complexidade artística. É aí que a densidade justifica seu sentido nesta comparação.

O que ouvimos faltar na música de hoje é exatamente esse atrevimento. É essa ausência de medo de ousar e usar instrumentos incomuns, referências incomuns.

Disco de MPB? Quem define?

Como classificar o Clarões? As misturas são tão grandes que às vezes não parece que estamos ouvindo o mesmo disco. Manu Saggioro vai do jazz às violas caipiras e o rock sem nenhum pudor!

Aqui, a densidade da qual estamos falando ganha cores e por isso, atravessa os nossos sentidos. Você “vê” muita coisa com o Clarões. Sem trocadilho com o nome, é uma iluminada fábrica de estímulos aos sentidos. Aqueles 5. Ou quem sabe, 6.

Já falamos dos vocais? Já falamos das letras?

Ja dentro dessa brincadeira com os sentidos, os sabores com os quais Manu Saggioro nos brinda nesse disco é um banquete farto com pequenas porções de tudo. Inclusive vocais e letras.

O que dizer da faixa “Aguita“, com Manu, Daísa Munhoz e Silvia Ferreira?
Aqui, nos sentimos suspeitos, pois conhecemos o contexto que fez Manu ter contato com a música (confidenciado por ela no Estúdio da Rock Bauru numa das gravações do “Rock Retrô”) e talvez isso aumente nossa sensibilidade a esse sabor. Mas isso não afasta a irretocabilidade da canção.

As letras não merecem destaque. Elas já o têm.

Quando você une Tetê Espíndola, Levi Ramiro, Osvaldo Borgez, Ceumar Coelho entre outros, além da própria Manu, fica difícil não esperar o melhor. E é o melhor que você tem, ao ouvir clarões (em minúsculas mesmo… você ouve luz no álbum Clarões).

Ouça. Sinta. Devore. Veja Clarões.

Para que este texto não se prolongue e atrapalhe seu tempo de ouvir clarões, encerramos com uma frase de Levi Ramiro, da faixa “Um dedo de prosa“: “Oi, com licença, tenho algo a te dizer. Vive no celular, não consegue entender. Só quero um tempinho pra falar contigo“. Pedimos licença pra completar: ouça os Clarões de Manu Saggioro.

Como dissemos no início, quem já ouviu sabe que não se aprecia essa obra uma vez só. Quem não ouviu, vai entender.

Veja, saboreie, toque, cheire – e até ouça Clarões no Spotify, Deezer e outras plataformas, dimensões, sentidos, esferas, planetas… tudo! Conheça também o site da Manu.

Ah, se quiser, pode também ver aqui a entrevista da Manu com a gente, sobre o disco:

Texto por Bira de Bauru – Diretor da Rede Rock Bauru

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